domingo, 25 de junho de 2017

Sinal dos tempos...

       Não são famosos, por certo. Falo dos tempos... e não só.

      Falo também de música, daquela que me tem acompanhado o gosto nos últimos tempos e que me faz lembrar batalhas, guerras com "balas", por vezes a fazer perder algum do sentido da vida.
      Assim ouço a composição na voz de alguém que, pelos vistos, fez parte de um grupo que não apreciei particularmente, mas que evoluiu para sonoridades que hoje me chamam a atenção. Harry Styles (antigo membro dos 'One Direction') dá voz a uma balada intitulada "Sign of the times", primeira canção a solo para este músico britânico; grito musical para ir em busca de outros dias, de maior felicidade:

Vídeo de "Sign of the times", canção interpretada por Harry Styles 
(difundida na rádio desde abril de 2017)

SIGN OF THE TIMES

Just stop your crying
It’s a sign of the times
Welcome to the final show
I hope you’re wearing your best clothes

You can’t bribe the door on your way to the sky
You look pretty good down here
But you ain’t really good

We never learn
We’ve been here before
Why are we always stuck and running from
The bullets, the bullets
We never learn
We’ve been here before
Why are we always stuck and running from
The bullets, the bullets

Just stop your crying
It’s a sign of the times
We gotta get away from here
We gotta get away from here
Just stop your crying
It’ll be alright
They told me that the end is near
We gotta get away from here

Just stop your crying
Have the time of your life
Breaking though the atmosphere,
And things look pretty good from here
Remember everything will be alright
We can meet again somewhere
Somewhere far away from here

Just stop your crying
It’s a sign of the times
We gotta get away from here
We gotta get away from here
Stop your crying, baby
It’ll be alright
They told me that the end is near
We gotta get away from here

We don’t talk enough
We should open up
Before it’s all too much
Will we ever learn
We’ve been here before
It’s just what we know

Stop your crying, baby
It’s a sign of the times
We gotta get away
We gotta get away

      A lembrar uns "The Verve" ou "Oasis", esta canção instalou-se na minha mente; contudo, o pedido de que o choro não continue traz qualquer coisa de repetitivo, de cíclico (na melodia como na vida); também de derradeiro, até de fatídico - o que não me agrada na letra, mas que toca, por certo, com a melodia dada a ouvir. Mesmo que "We we don't talk enough" e que "We should open up", a fuga impõe-se, mas convém que seja neste mundo, com os pés assentes no chão, para que também nele se retire alguma lição.

     Se alguma coisa está prestes a findar, que seja este "dar o peito às balas" (porque já cansa e não faz de ninguém herói). À espera, portanto, de dias melhores.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Prémio Manuel Laranjeira no Dia da Cidade

     Celebrado do Dia da Cidade (pelo 44º aniversário de elevação de Espinho a esse estatuto), fecha-se um ciclo de trabalhos a anunciar outro(s).

     O Prémio Literário Manuel Laranjeira teve hoje direito ao reconhecimento da sua premiada, na cidade de Espinho.
     Na subida ao palco e na presença do Senhor Presidente da Câmara Municipal (Dr. Pinto Moreira), da Senhora Vereadora da Cultura (Drª. Leonor Fonseca), do Responsável pelos Serviços de Cultura e de Museologia (Dr. Armando Bouçon) e da Senhora Diretora do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (Drª. Ana Gabriela Moreira), a agraciada com um prémio de cinco mil euros (Sandra Inês Cruz) dirigiu algumas palavras ao público presente no Multimeios.

Cerimónia da entrega do Prémio Literário Manuel Laranjeira, 
no Multimeios de Espinho (premiada à direita)

   Da nota de agradecimento às breves palavras que explicitaram um pouco da criação da obra premiada (Viagens por histórias mais ou menos naturais), fica o registo fotográfico do momento em que a autora é presencialmente dada a conhecer ao público e recebe os merecidos aplausos.
    Assim se concluem dois anos de ação, numa equipa que, nos termos do protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Espinho e a Escola Secundária com 2º e 3º Ciclo Dr. Manuel Laranjeira, fez relançar uma prática cultural por alguns anos abandonada no concelho, mas que teve neste 2017 a sua primeira edição, com a seguinte a ter lugar em 2019.

      Cumpriu-se o trabalho, partilharam-se os agradecimentos e pode dizer-se que tudo foi feito para bom nome do homenageado que dá nome ao prémio. Daqui a dois anos há mais.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Mas algum humano acredita nisto?!

     Nem Freud! (Não é argumento de autoridade. É crença, mesmo!)

    Quando procuro descomprimir, está visto que não dá para ir ao Facebook. Não é por nada, mas quando se lê isto (um catafórico, por anunciar o que ainda não é explicitamente textual, só pairando na minha mente) não é possível ficar indiferente, incólume ou corroborar o impensável.
      Cá vai:

Foto de Ana Rosa Silva.
A circular no Facebook 
e a haver quem ache, pelo lamento crescente, que não devemos ser de ferro...
mas de aço!

       Perigoso! Nem Freud o aceitaria, seja no dever seja na resposta a dar à vida!
    A acreditar nisto, e a aceitá-lo, pouco falta (espantemo-nos!) para crer em fundamentalismos e extremismos... 
      Máquinas, com avarias anunciadas no final, já Álvaro de Campos propôs na " Ode Triunfal": "Ah não poder ser eu toda a gente em toda a parte!" Popularmente, dir-se-ia "Quem tudo quer tudo perde". 
       Cedo ou tarde, por mais que se ache que os telhados de vidro não existem, a pedra cairá (não sei se na cabeça de alguém, mas que seja, no mínimo, na consciência). Talvez a vida venha a ensinar muita gente que não somos nem aço nem ferro. Humanos, sim, com falhas e nem sempre porque as queremos, mas porque elas existem connosco e nos derrubam. Pensar o contrário só no discurso do lamento ou negando que, na vida, há pequenas coisas que fazem os dias diferentes.
     Na realidade, a verdade não é a do pensamento citado; é muito outra e é pena que muitos humanos dela se esqueçam. Só se lembram dela nos momentos de choque, e talvez aí já seja um pouco tarde. É pena que da história não se faça da memória! E a história muitas vezes é a nossa! 
     Felizmente, quero acreditar que há quem a ajude a (re)escrever e a (re)viver de outra forma.
    Mais não digo - melhor: não escrevo, para não repetir o exemplo de alguns alunos que, ao escrever num teste escrito. dizem que fala(ra)m. Oh, vã ilusão!

    Não gosto, não aceito, não acredito e só o entendo quando tudo corre bem (e não será, certamente, para todos o que procuram sobreviver nas situações ou nos tempos mais críticos). Pena é quem haja que ainda subscreva o pensamento, tal como apresentado na imagem! E há! Oh se há!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Sem santo nem poeta

     Quando me preparava para escrever sobre Santo António ou a data de nascimento de Pessoa, fiquei sem santidade (como se alguma vez a tivesse) e perdi a poesia.

      Não há milagre ou santo nem poesia ou poeta que resistam. É tão mau que nem ao Diabo (vá de retro, Satanás!) lembra. Tudo num só dia. É obra (ingrata)!
       Para começar, logo pela manhãzinha, não há luz ao fundo do túnel para quem escreve as legendas na RTP:

As legendas da RTP no seu pior (I)

     Coitadas das timas (nome), que deixaram de o ser (até porque nem na notícia o foram) por passarem a forma verbal (vitimas). Lá se foi a palavra esdrúxula, porque a quiseram tornar grave. É grave... muito grave!
       E por falar em esdrúxulas (ou proparoxítonas), três minutos depois, mais duas pérolas:

As legendas da RTP no seu pior (II)

       Não é bom falar de vidas, é certo; porém, confundi-las com a forma do verbo dividir no presente do conjuntivo (segunda pessoa do singular: dividas)...! Quer-se o nome; não o verbo. Para terminar, e ainda no mesmo rodapé, último (adjetivo) a ser confundido com a forma verbal de 'ultimar' (eu ultimo, tu ultimas, ele ultima...). É a sílaba tónica distinta (em termos fónicos) e a acentuação gráfica (em termos ortográficos) que fazem a diferença.
       Um minutinho depois, é a vez de novo caso crítico:

As legendas da RTP no seu pior (III)

     Nova esdrúxula que o devia ser enquanto nome (tráfico), e sai nova forma verbal grave (eu trafico, tu traficas, ele trafica,...). Isto de traficar nunca deu bom resultado!
      Quando tudo parecia crer que havia alguma coisa contra a acentuação gráfica das esdrúxulas (tão elementar quanto obrigatória no português), surgem, duas horas depois, duas falsas esdrúxulas com o mesmo problema (o da ausência de acentos):

As legendas da RTP no seu pior (IV)

As legendas da RTP no seu pior (V)

       'Queda às' em vez de 'Queda nas' é questão menos problemática, quando, por comparação, se conclui que não há queda nenhuma, efetiva, para a acentuação gráfica - inclusive das palavras terminadas com encontros vocálicos habitualmente proferidos em ditongo crescente (casos de tio e de água).
        Não fosse isto suficiente, falta o momento de "Última hora". Na festa, tudo se passa e muito se consente; mas no que toca à sua notícia, para além da falha / troca de letra ou grafema (se > de), a discordância sintática é evidentemente contraproducente:

As legendas da RTP no seu pior (VI)

     As comemorações, na justa medida, sempre animaram e não há santo que tal mude: a concordância no plural é processo de coesão frásica tipicamente verificado e normalizado na língua. Contudo, na cabeça de alguns nem sempre tal se verifica, para mal dos pecados de quem tem que os ler, quando escrevem (MAL).

      Nem Fernando nem António nos livram, por mais santos ou poetas que tenham sido. É muito mau receber isto tudo num só dia. Dizem que à dúzia é mais barato, mas, definitivamente, já à meia a imagem do canal do "Bom Português" sai bastante comprometedora. Mais uma imagem que não dá para comprar.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quando a vergonha é pública...

     Aos doze dias do mês de junho,...

    fica o registo de que não sei o que é mais escandaloso: se a nomeação dos novos dirigentes da TAP (Transportes Aéreos Portugueses), tão discutida nas notícias de hoje, se a manutenção do erro na RTP (Rádio Televisão Portuguesa).

Imagem captada no programa informativo 360º, emitido na RTP3

     Ainda há dias ditava um sumário aos alunos, alertando para o contraste 'critica - forma verbal / crítica - forma nominal ou adjetival'.
     E tomando atenção na sílaba tónica de cada uma das formas (critica / crítica), lembrava como na última estávamos perante uma palavra esdrúxula (sempre graficamente acentuada no português). Chamando cada uma das palavras, a diferença tornou-se evidente em termos fónicos; na classe de palavras a questão foi exercitada em contextos frásicos, para reconhecer qual das palavras utilizar. É um caso CRÍtico da língua e eu criTIco os que erram. Estou a sair cá um CRÍtico!
      Na RTP começa a ser um facto que alguém não sabe escrever corretamente. Um meio de comunicação social a expor milhões ao erro.

     Em vez de chamar a palavra para deteção da sílaba tónica, berrava (até porque a frequência e a natureza dos erros começa a ser absurda) a quem faz as legendas no rodapé das notícias. Caso para dizer que "Vergonha (também) foi o erro" e não se ficou pelo privado. Não é "Bom Português".

sábado, 10 de junho de 2017

Famílias poéticas ou da língua

     Feriados ao sábado são um desperdício (ao domingo também).

    Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas foi dia celebrado entre o Porto e o Rio de Janeiro, a falar português, esse idioma que une continentes e se fez pátria - pelo menos, assim o dita essa citação poética revista em azulejo:



     Em dia de Camões, não é heresia nenhuma citar Pessoa, este que parecia ver-se no espelho como esse "supra-Camões" sugerido numa sequência de artigos sobre a nova poesia portuguesa, escritos em 1912 para a revista A Águia (órgão do movimento da Renascença Portuguesa). Talvez não seja muito rigoroso dizer-se que o pensamento é de Fernando Pessoa, quando de Bernardo Soares se trata, o semi-heterónimo do Livro do Desassossego.

      Num feriado dedicado (também) ao poeta, é a língua e a cultura que se reveem nessa identidade de comunidades e famílias poéticas feitas de um mesmo material que é, simultaneamente, objeto e construção, em aberto, às potencialidades (re)criadas na e pela arte.

sábado, 3 de junho de 2017

Desconsolado

     Sempre que nos meios de comunicação social o erro surge, este propaga-se por milhões.

     Parece que já não há princípio nem cuidado a pautar por quem escreve legendas no rodapé das notícias. São tantos os maus exemplos que, no meio da banalidade, nem os responsáveis de edição reparam. Aqui vai mais um:

Uma legenda infeliz num rodapé que requer investigação... todos os dias!
(A RTP anda a precisar de apostar nessa "investigação" mais linguística)

     É de perder a paciência, um desconsolo, quando se confunde um cônsul com consolo. Depois, claro, vem o 'consolado' que, em vez de ser adjetivo (formado a partir do particípio passado do verbo 'consolar') é erradamente tomado por nome para o espaço do cônsul. Enfim! Uma desgraça! 
     Tristeza! Não é para ficar consolado; antes pelo contrário. Resta saber se o cônsul anda consolado lá para o seu CONSULADO.

     Caso para dizer, investiguem a língua e pode ser que não caiam em erros de natureza homofónica. Até a senhora, na imagem, está com cara de poucos amigos.