sexta-feira, 21 de março de 2014

No dia da poesia... Keep calm!

     É dia mundial da árvore e dia mundial da poesia (conforme indicação na XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999).

   Com o objetivo de promover a escrita, a leitura, a declamação e o ensino da poesia no mundo, a efeméride do dia tinha de ser lembrada pela voz do poeta. Ando muito na "onda" de Caeiro, até por causa de uma questão que me foi colocada há dias e à qual vou ter de responder brevemente. Daí que me centre na prosa dos seus versos (tal como o mestre pessoano designava o formato da sua escrita):

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 

O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ... 
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI" 

     Parece um poema à moda de "Keep calm" (não tivesse o cartaz britânico aparecido cerca de duas décadas mais tarde, no início da II Guerra Mundial, para reforçar o estado moral inglês num cenário de desastre bélico contra os alemães). Não deixa de ser a mensagem de que preto e branco se comple(men)tam no real.

       Com a prosa dos versos caeirianos regista-se a poesia da vida (também feita daquilo que muitas vezes não se quer).